28 dezembro, 2010 8 comentários

Quando tudo termina



Essa sensação de que o tempo passou e que são anos que não voltam mais me constrange. Torna tudo dentro de mim tão sensível que a simples presença de alguns amigos e a ausência de outros, realmente, me afeta.

24 dezembro, 2010 7 comentários

Entre elas





marie diz:
estamos ficando velhas.

18 dezembro, 2010 9 comentários

Diálogos #15



- Vi o que escreveu.

13 dezembro, 2010 8 comentários

Nerds em série #5



NO último post da série sobre nerds, fiz uma perguntinha inocente se a tag deveria continuar e qual deveria ser o tema do próximo post.
08 dezembro, 2010 8 comentários

Inkheart



Comprei Coração de Tinta (Inkheart) em uma promoção da Saraiva Online. Achei a capa linda e a sinopse do livro me ganhou logo de cara.
03 dezembro, 2010 8 comentários

Diálogos #14



- Hoje você está encantadora.

28 novembro, 2010 13 comentários

Com quantos personagens se faz uma garota



Eu não sei quando ou porque começaram com isso, mas várias pessoas já me identificaram com personagens de desenhos animados. O mais engraçado [ou não. uma vez me disseram que meus posts não são engraçados, nem criativos. anônimos do meu core. ♥] é que são personagens completamente diferentes uns dos outros e que nem tenho certeza se se parecem comigo mesmo. Então, resolvi fazer uma lista pra mostrar as minhas várias faces em animações [já vou avisando que é meio-que longa]

1. Mary Jane Watson

Namorada do Homem-Aranha, foi como me chamou uma garota. Bom, pra quem não sabe [o que deve ser totalmente impossível], Mary Jane é personagem do HQ do Homem-Aranha. Antes de pintar nas telonas com a interpretação da querida Kirsten Dunst, Mary Jane já estava na TV [desenho que eu não perdia, por sinal. a versão de 1994, claro]. Não sei de onde surgiu a semelhança, mas deve ser porque meu cabelo estava desbotado e eu precisando de um sol.

2. Margarida

A namorada do Denis, o pimentinha [namorada de meio mundo, só pode] também foi um que me pegou de surpresa. Bom, este título veio de uma pessoa que me conhecia bem, então foi agregado também o meu gênio à comparação. Ela não era nenhum pouco legal e não, ela não namorava com o Denis. Ah, sei lá... eu nem gostava muito daquele desenho.

3. Sakura

Esse veio em um momento de vício no anime Sakura Card Captors. Fiz até um post aqui que, por sinal, recebe muitas visitas [só não bate o do aniversário da Barbie até hoje]. Semelhança física não consegui identificar, mas eu gosto da Sakura, então: tô nem aí!

4. Florzinha

Uma das Meninas Super-poderosas, a Florzinha é meio-que a líder do grupo. Deve ser o cabelo laranja, mas algo no espírito competitivo dela também deve contar para a comparação. Eu sempre gostei do desenho, principalmente do narrador e do Macaco Loko [vilains rules]. Mas, rolava uma certa indisposição com a garotada, porque todo mundo queria ser o líder, né.

5. Super Pig

Esse pra mim foi o mais chocante de todos e veio depois que entrei na facool mentira! meu irmão me chamava disso quando eu era pequena, e não era por causa da semelhança. Não me lembro quem chamou a atenção de algumas pessoas para as minhas semelhanças com a super-heroína porquinha. Mas, lembro que a pessoa defendeu-se dizendo que era só quando ela estava em sua forma humana, o que amenizou um pouco a situação.

6. Jenny

Quem já assistiu A Casa Monstro deve se lembrar dessa garotinha sardenta e bem insistente que é um dos personagens principais do longa animado. Pra variar: o cabelo laranja e as sardas que me condenam. Saltei alto no dia, mas acabei ganhando elogios, dizendo que ela nem é feia. Consequentemente... [jogando verde, colhe-se madura. aprendam!]

7. Moranguinho

Não me lembro de ter assistido a muitos desenhos animados da Moranguinho. Mais um da série: menina sardenta de cabelo vermelho. Mas, não me acho tão fofinha quanto a tal. Aliás, há quem discorde veementemente. Essa comparação foi feita por uma amiga que estudou comigo na faculdade, mas que hoje está lá pras fisioterapias. Bom, mas ter cheirinho de morango não deve lá ser tão ruim. Ou deve?

8. Garrafinha

Esse veio direto da minhas querida amiga @danamalua.Quem não lembra, a série (que não era desenho) era feita com bonecos manipulados e a personagens dava nome ao programa. Mais, tarde a boneca ganhou uma versão animada [a única imagem que consegui, por sinal]. Bom, ela tinha um cachorro chamado Musicão e fez sucesso na Rede Globo. Mas, o óculos de fundo de garrafa, realmente, não fazem muito o meu estilo [hahaha].

9. Clark Kent

É um pássaro? É um avião? É o Super-Homem? Não, é a Ju-li-ana! Vê se pode? Esse rótulo ganhei de brinde do meu querido primo recentemente. Ele insiste em dizer que com os novos óculos fiquei com cara de Clark Kent. Depois de toda essa lista, quem sou eu pra discordar?

Ao longo dessas duas décadas [para o mundo que eu quero descer], recebi MUITOS apelidos. As derivações do meu nome são as que ganham de longe, mas nunca vi ser a cara de tantos personagens. E você, também acha que eu tenho cara de desenho?

-beijosanimados;*
23 novembro, 2010 10 comentários

Mundo invisível




"Eu estava prestes a completar meus 19 anos, e como todas as mocinhas sonhadoras e aventureiras dessa idade que existem, havia me decidido a comemorar a data em grande estilo. Comprei novas roupas, combinei com minhas amigas, e deixei tudo preparado para o grande dia.


18 novembro, 2010 8 comentários

Diálogos #13



- E se eu sentir saudades?

13 novembro, 2010 10 comentários

Nerds em série #4



NO último post da série ficamos combinados de falar da moda nerd. E daí que eu fui fazer umas pesquisas para trazer o que de mais high tem por aí e de como alguns acessórios, antes apedrejados, hoje se tornaram queridinhos em muitas montações de looks por aí [me sentindo A fashionista].
08 novembro, 2010 12 comentários

Entre elas





sophia diz:
msn do cassiano todo rosa.

03 novembro, 2010 9 comentários

Diálogos #12



- Então acabou? Não fala mais comigo. Nem sequer olha mais pra mim...

29 outubro, 2010 9 comentários

Inconveniência


Inconveniência me irrita. Sempre irritou. Pessoas que não sabem bem quando sustentar um momento de silêncio ou permitir que certa situação desenvolva-se sozinha. Mas, não é só quando há pessimismo.
24 outubro, 2010 10 comentários

Sensibilidade



Minha cabeça funciona muito melhor a noite.
Quando o relógio atinge seu ponto máximo e um novo ciclo se inicia.
19 outubro, 2010 7 comentários

Diálogos #11



- Você está linda hoje.

14 outubro, 2010 7 comentários

Nerds em série #3


NO segundo post da série anunciei que no próximo falaria sobre aqueles nerds nojentos estranhos que, na maioria das vezes, fazem e dizem coisas que ninguém gosta muito e acabam assustando alguém. Eu mesma não sou nenhum pouquinho fã desse tipo de nerd, que é aquele que canaliza toda sua esquisitice inteligência para the dark side of  the Force (não resisto a essas citações tão típicas, sorry).
09 outubro, 2010 15 comentários

Construções


“Pensar em Deus é desobedecer a Deus
Porque Deus quis que o não conhecêssemos
Por isso não se mostrou...
Sejamos simples e calmos, como os regatos e árvores,
E Deus amar-nos-á fazendo de nós belos como árvores e regatos,
E dar-nos-á verdor na sua primavera,
E um rio aonde ir ter quando acabemos!”




Fernando Pessoa, O guardador de rebanhos, VI
04 outubro, 2010 6 comentários

Diálogos #10



- Você gosta de mim?

29 setembro, 2010 9 comentários

Quanto vale o seu voto?



Há algum tempo tive uma conversa interessante. Em tempos de eleição, vira-e-mexe o assunto acaba caindo na política. A discussão começou com uma declaração que um amigo fez em meio à roda, afirmando que votaria em uma amiga da namorada, caso a tal candidata lhe desse R$10. Todos riram, menos eu. Admito que sou muito tensa, às vezes.

24 setembro, 2010 6 comentários

Audrey


Recentemente, adquiri mais um vício de ordem cinematográfica chamado Audrey Hepburn. A atriz belga é ainda hoje considerada um ícone de elegância. Mas, sua passagem pelo mundo não se restringiu somente a atuações cinematográficas e desfiles. Audrey foi nomeada embaixadora da UNICEF, onde trabalhou como voluntária pelas causas da infância.

19 setembro, 2010 6 comentários

Diálogos #9



- O que nos trouxe até aqui?

14 setembro, 2010 9 comentários

Nerds em série #2


OS nerds sempre existiram, mas nem sempre eles foram tão pops quanto são, atualmente. Isso se deve, em grande parte, à proliferação dos chamados geeks, que são respeitados no meio tecnológico e fizeram um favor à classe de tirar aquele rótulo de CDF-chato-esquisitão que todo nerd tinha. Além da proliferação da cultura geek, outro fator que colaborou bastante para a evolução da imagem nerd junto à sociedade foram os diversos personagens que tanto séries de tv, quanto filmes criaram.

09 setembro, 2010 11 comentários

Sentimento



Aí você decide deixar de sentir. Mas, isso nem sempre é possível. Porque quando você deixa de sentir coisas boas, passa a sentir coisas ruins. Raiva, desprezo, e seus demais irmãos. E aí o coração fica pesado demais. A cabeça dói e fica tudo como que nublado diante dos seus olhos.

04 setembro, 2010 14 comentários

Diálogos #8



- Você me seduz?

30 agosto, 2010 8 comentários

How many time traveler's wives are there?



Ler A Mulher do Viajante no Tempo foi um parto pra mim. Não que a autora Audrey Niffenegger não saiba escrever, muito pelo contrário. A história é sim muito envolvente e o modo como a narrativa foi disposta, totalmente diferente do que já li. Nenhum Morro dos Ventos Uivantes, mas bastante diferente por alternar a visão dos personagens o tempo todo.

25 agosto, 2010 9 comentários

Posse



Gosto de fazer tempestade em copo d'água. Mesmo que seja somente para alvoroçar as coisas.
20 agosto, 2010 12 comentários

Diálogos #7



- Ele falou com você?

15 agosto, 2010 9 comentários

Nerds em série #1



De alguns tempos pra cá, os nerds entraram em evidência. Tamanha foi a notoriedade alcançada que vários setores tiveram que se adequar à "nova categoria". As mudanças começaram na moda, passaram ao cinema e não pararam por aí. Se antes os nerds eram aquelas pessoas nonsenses em todos os sentidos, hoje eles ganharam novas perspectivas e até nomeação.

10 agosto, 2010 7 comentários

Sobre o ato de fingir



Odeio fingimento.

05 agosto, 2010 7 comentários

Diálogos #6



- Sobre o que vocês conversam?
- Coisas normais de homem. Futebol, fórmula 1...
- Mulheres?
- Também.
- Já falaram de mim?
- Eles não se atreveriam.

-beijosfictícios;*
31 julho, 2010 7 comentários

Este Vagabundo é o seu fim



Eu sempre gostei de A Dama e o Vagabundo (Lady and the Tramp), clássico animado da Disney. Coisinha mais linda, fofa, tipassim 'uón' aquele filme. Só que, né... fantasia total. O problema é que tem guria que até hoje acredita que pode e vai encontrar alguém a quem possa consertar: um Vagabundo que se apaixone por ela e que mude por ela.

Hello!

Estamos falando de realidade, girls. "Nobody changes", já dizia o bom e velho sábio House (hahaha). Se "ele é o tal vagabundo, sem coleira e sem patrão", não tente nada com ele. A não ser que esse tipo de vida lhe agrade (ou que você seja extremamente resolvida emolcionalmente, ou ainda que tenha algum tipo de prazer em ser pisada).

Tem garota que tem a síndrome de consertar caras. Elas acham que vão ser a solução para os pobres. Minha filha, acorda! Vagabundo que é vagabundo não muda. Aliás, ninguém muda (não se não quiser). Claro que há sempre o argumento de que os bonzinhos são sem sal, ou qualquer outro tempero (como se fosse de hoje usar analogia entre cozinha e relacionamento).

Mas, não é bem assim. Essa aí é uma idéia que permeia mais o imaginário masculino que, frágil, acha (olha o achismo) que as mulheres preferem esse ou aquele tipo. Nem sempre o cara-suja, a la Zé Mayer (eco!), faz sucesso. Até porque, se fosse assim, garotas como Mary Jane Watson nunca ficariam com um Peter Parker, ou Lana Lang, com um Clark Kent. E por aí vai (ok! super-heróis não são o melhor exemplo).

O que quero dizer é que nem sempre o custo-benefício de uma situação tão cheia de acasos e incertezas é tão interessante quanto o motivo do afeto pareça ser. E digo pareça, porque todo mundo já está cansado de saber que "quem vê cara, não vê coração". É claro que todo aquele ar de mistério e sedução que rola com um desses womanaizer's, que, geralmente, toda garota encontra alguma vez na vida, é muito instigante. Só que, na maioria das vezes, não vale a pena.

Só pra dar um up, fiquem com a trilha do Vagabundo da história da Disney (1ª versão, porque né... eu sou meio old mentchira!).


Ah, e tem essa versão em português europeu, que é divertida, também (e que deu título ao post).

-beijosvadios:*
26 julho, 2010 11 comentários

Jornalismo quase nada


Por que uso períodos curtos? Mania.
Vem do jornalismo e sua objetividade. Mas, principalmente, do rádio. Uma frase, um oração. Duas, no máximo.

Rápida. Direta. Clara.
Um resumo. Uma história.

Ninguém tem paciência com palavras demais. A compreensão acontece com idéias concisas. Ser breve é ser objetivo. Na ordenação dos pensamentos, claro. Afinal, aquela objetividade ideológica não existe. É somente uma tentativa. Falha, vale assinalar.

Resumindo, jornalismo é isso. Um resumo. Várias sentenças ligadas ou não por conectivos. "Haja capacidade de síntese"¹.

-beijosmanchetados;*

¹Comentário feito por um professor em uma prova de sociologia que fiz.
21 julho, 2010 9 comentários

Diálogos #5



- Não estou tentando afastá-la de mim. Não teria capacidade e nem vontade para isso.
- Suas reações são sempre tão melodramáticas que acabo me cansando.
- Você nem liga para minhas reações. É sempre indiferente. E eu a amo mesmo assim.
- Falar que me ama não muda nada. Não vou gostar mais ou menos de você, sabe disso.
- Sim, e como sei. Só que me machuca.
- Até as rosas têm espinhos. Você já deveria saber disso. E diferente do que você pensa, me importo, sim.
- É... Eu sei disso. Mas, seu jeito de se importar é diferente de todos os que já vi.

-beijosfictícios;*
16 julho, 2010 8 comentários

Achismo



- Acho que ele achou que eu estava achando que ele não achava nada, entendeu?
- Ah, claro.

Têm certas coisas que não dá pra aguentar.
E uma delas é o que eu intitulo aqui como achismo.

O achismo é, na minha concepção, a capacidade que o ser humano (pra não dizer: cerumano) tem de sempre implicar sua opinião pré-concebida sobre algo que não domina e/ou não tem conhecimento. Já o Dicionário inFormal traz a seguinte definição:

1. Achismo
Cultura do fazer comentários sem propriedade, sem conhecimento, deduzir pela experiência pessoal algo que não tem certeza.

Juntando tudo e mais um pouco, refere-se àquela pessoa que prefere imaginar e tirar suas próprias conclusões à respeito de situações e pessoas, com base em seus pensamentos, na maioria das vezes, fantasiosos.

Vira um tal de acho pra cá, acho pra lá.

Se um de nós gravasse uma conversa com uma pessoa adepta do achismo, na certa conseguiria depois, com muita calma, retirar várias e várias teses sobre tudo quanto é assunto que rolou durante o diálogo - inclusive, teses secundárias, e até terciárias, sobre as teses iniciais.

Achar é uma coisa complicada, já que, a priori, deveria aludir a uma busca. Partindo-se da premissa de que seus sinônimos são encontrar e descobrir e de que "quem procura, acha", então ninguém deveria perder seu tempo achando coisas que não estão lá para ser encontradas. Mas, a essência do achismo está, justamente, no fato de que a pessoa que acha, não está procurando por nada, mas só quer falar, falar e falar.

E aí que eu fico pensando o seguinte: se as pessoas perdessem menos tempo achando algo sem antes procurar saber do que se trata realmente, muitas incoveniências seriam evitadas. Mas, isso aí já é assunto pra outro post.

-beijosachados:*

p.s: Só a título de informação: eu que coloquei os chifres no pobre do cavalo. hahaha
11 julho, 2010 8 comentários

Wuthering Heights


Eu e minha mania de ler os livros e assistir suas adaptações para o cinema, né.

Bom, foi a vez de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights). Não escondo de ninguém que esse foi, de longe, o livro mais estranho que já li. Mas, nem por isso deixei de apreciá-lo. A loucura é o fio-condutor da história (na minha humilde opinião), permeando cada linha, cada personagem, cada diálogo. Tudo é banhado numa espécie de rio de insanidade e super-dramatização.

Diferente do que muita gente fala, pra mim a história é sobre Heathcliff e não sobre o amor entre ele e Catherine (já que não sei ao certo se se pode chamar a relação entre os dois de amor). O personagem é um estranho cigano que foi encontrado ainda criança pelo Sr. Earnshaw em uma das viagens habituais do ricaço. Ele cresce na propriedade que dá nome ao livro, a Wuthering Heighs. Catherine é filha de Earnshaw e cria um laço muito profundo com Heathcliff. Não vou prolongar as descrições, porque senão perde a graça.

O caso é que eles são muito obcecados um pelo outro. E daí que surge a loucura de toda a história, já que o que deveria ser um casal, nunca chega a se transformar em um. Heathcliff é retratado o tempo todo como uma demônio em pele de homem, tamanha sua crueldade e frieza. E, de fato, ele é mau (muito mesmo). Suas atitudes não são nenhum pouco apreciáveis e ele, definitivamente, não é um herói. Sua obsessão por Catherine é doentia e a recíproca é também verdadeira.

Todos os personagens, na verdade, são loucos (até mesmo a Nelly, que é a mais sã dentre eles).

Em certo ponto da narrativa (literária e cinematográfica) passei a culpar o cenário: o próprio Morro dos Ventos Uivantes, acho, carrega um quê de insano em si. Com certeza, a paisagem contribui para tudo o que se passa.

E todos esses sentimentos, que ficam à mostra na obra de Emily Brontë, são repassados também na tela. A adaptação que assisti foi produzida em 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, nos papéis principais .  A mais famosa é a primeira, de 1939, que ainda era em preto-e-branco (confesso que isso colaborou pra escolha de qual eu assistiria). Mas, também, a de 1992 é mais completa, contando a história também da 2ª geração do triângulo amoroso.

Algo que gostei bastante, foi o narrador, que só apareceu em momentos estratégicos durante o filme. Pelo que inferi, é a própria Emily Brontë

Quanto à história, no longa, a obsessão de ambos torna-se, em certo ponto, motivo de risada (pelo menos, pra mim). Já em outros momentos, o peito aperta e o ar chega a ficar pesado ao redor, tamanha tensão nas cenas e diálogos entre os personagens. A trilha sonora foi um dos pontos fortes. A música principal é, realmente, de tirar o fôlego e fiquei encantada com tamanha flexibilidade da canção (preste atenção na música de fundo do trailer: é ela!).

Indico ambos. Ao contrário do que possa parecer, a leitura não é difícil de ser levada, apesar da estranheza do estilo de Brontë. Já quanto ao filme, tive algumas restrições: achei longo demais. Mas, é o que se espera de adaptações (ou não).

O trailer:

beijosadaptados;*

p.s: Ah, e só a título de esclarecimento: Mr. Darcy (Pride&Prejudice) e Heathcliff não são, nem de longe, parecidos. Essa foi a comparação mais ABSURDA que eu já ouvi-li-vi. Mas, isso é assunto para um post inteiro (ha-ha)!
05 julho, 2010 5 comentários

Diálogos #4



- Em que você está pensando?
- Nada demais. Por que o interesse?
- Gostaria de invadir sua mente, saber tudo o que pensa sempre.
- Nas primeiras horas seria excitante. Nos primeiros dias, até empolgante. Mas, depois de 1 ou 2 semanas, você estaria gemendo para sair de lá.
- Talvez valesse a pena, querida. E então eu a conheceria por completo.
- Eu sou muito enfadonha, depois de algum tempo. Logo se cansaria, você sabe.
- Se a invadisse, talvez. Mas, e se você me ensinasse sobre você?
- Seria muito previsível e egocêntrico, acredito. Mas, e se eu ensinasse alguém a ensiná-lo sobre mim?
- Seria uma boa idéia se eu não soubesse quem seria a pessoa que você elegeria como meu instrutor.
- Seu ciúme é o que me cansa.
- Posso considerar isso como a primeira aula?

-beijosfictícios;*
30 junho, 2010 6 comentários

Soundtracks


No dia em que fiz o teste pra aula de técnica vocal, o professor me disse, após me ouvir cantar, que tenho um perfil musical, a la Cantando na Chuva e cia.

Daí, fiquei pensando no porquê disso e cheguei à conclusão de que, certamente, eu devo ter aprendido a cantar com as animações musicais da Disney.

Daí, fiquei pensando que eu, realmente, amo muito animação e, principalmente, quando tem músicas e tudo o mais.

Daí, resolvi fazer uma lista das músicas mais legais de longas-animados que mais amo de todo o coração. Só que eu não encontrei as mais legais então, escolhi 6 que não são as mais, mas que são também bem legais. Escolhi essas 6 e na versão brasileira porque, né, eu não fui uma criança prodígio e não assistia filme com áudio original.

Lá vai:

1. You've got a friend in me - Toy Story





2. He's a tramp - Lady and the Tramp





3. Colors of wind - Pocahontas





4. When you believe - The Prince of Egypt





5. What's this? - The Nightmare Before Christmas





6. Honor to us all - Mulan





-beijosmusicados:*
25 junho, 2010 9 comentários

Intimidade



Triângulo amoroso nunca dá certo, a não ser no cinema (e olhe lá).

Um sempre acaba magoado. Mesmo que seja toda uma vibe Vicky Cristina Barcelona. Não dá. É muito difícil administrar e as pessoas tendem a ser possessivas demais, sempre. O pior é quando há a troca, de fato.

Conheci um casal que viveu uma situação assim.

A prima dela era apaixonada por ele, antes de ela sequer conhecê-lo. Bom, dizem que no coração não se manda, e então, um dia eles apareceram namorando. O fato foi motivo de rompimento e desavenças na família das duas. A prima, pobre vítima da conspiração dos dois, comeu o prato da vingança frio, espalhando boatos sobre a índole da ex-querida-amiga.

O pior de tudo é que o namoro, motivo de rixa na família das duas, acabou logo. Não passando dos 5 meses, se não me engano. Pelo que vi, li e ouvi da história, ela o deixou por causa de outro cara. Um desfecho meio-lógico (pra  não dizer óbvio) para um história assim. Não há muito o que se esperar de uma pessoa que rompe um relacionamento de anos de intimidade e companheirismo por um desconhecido.

Comecei a pensar nisso tudo quando acompanhei uma cena no ônibus (pra variar, claro) quando voltava pra casa da aula de música.

Eram três colegas-amigos-sei-lá.
Duas garotas e um garoto.
Vinham da escola, provavelmente.
O assunto, como constatei, eram os últimos dias de aula que se aproximavam e as provas finais que já aconteciam.

A segunda garota era a que falava mais e a que, aparentemente, era o elo entre eles. Os outros dois pareciam apenas acompanhar a conversa e até meio-que incomodados com a presença um do outro. A situação permaneceu igual até o momento em que a segunda garota despediu-se dos dois e desceu do ônibus.

No mesmo momento peguei-me imaginando o que seria daqueles dois agora que a falante fora embora e os deixara pouco a vontade. Até cheguei a captar olhares desconcertados dos dois.

Mas, assim que o ônibus começou a se movimentar, e a lembrança da segunda garota ficou para trás junto à sua parada, os dois entregaram-se a um abraço tão íntimo e longo que logo me senti constrangida só por acompanhar a cena sem consentimento.

O abraço durou alguns minutos.
Talvez, para eles, rápidos demais.
Para mim, que observava, foram duradouros.

Fiquei imaginando se a segunda garota saberia dessa intimidade tão rendida entre os dois. Não que, necessariamente, os três formem um triângulo amoroso. Mas, sabe-se lá o que se passa na cabeça de três adolescentes que falam mais palavrões em uma frase do que palavras que façam sentido (não que palavrões não façam sentido. só não os aprecio tanto quanto adolescentes de 14 anos). Quando o abraço, enfim, terminou, os dois voltaram à distância normal entre dois amigos e aos mesmos assuntos de antes. Pelo menos, no que pude ouvir da conversa entre eles.

Parece até coisa de bisbilhoteiro-fofoqueiro, eu sei. Mas, dentro de um ônibus são tantas as coisas que se vê e ouve, mesmo sem querer, que é quase impossível não se tornar um observador, mesmo que oculto.

Desci no terminal, assim como os dois.
Eles foram para um lado.
Eu para o outro.

E a única coisa que sobrou de tudo foi esse texto; que compus na caminhada de volta pra casa.

-beijostriangulares;*
21 junho, 2010 4 comentários

Entre elas




helena diz:
e a copa, assistindo todos os jogos?
raquel diz:
claaaaro! x)
helena diz:
igual eeeeu. :) hahaha. me divirto muito. viu que podre a Espanha perder?
raquel diz:
ai, vi. não entendo essas zebras.
helena diz:
nem eu. não acertei um resultado até agora por causa desses jogos estranhos. ._.
raquel diz:
ai, nem me fale.
helena diz:
mas, tem outra coisa... os jogadores. MelDels. :O
raquel diz:
verdade! tem cada coisa nessa copa.
helena diz:
poisé. desse jeito fica até difícil torcer pro Brasil. só salva o Kaká e o Júlio César e olhe lá.
raquel diz:
aquele Canavarro.
helena diz:
OS italianos... uahuahuha.
raquel diz:
shuahsuhauhsua.
helena diz:
mas, sabe o que mais me chocou? o goleiro do paraguai. :O você reparou nele?
raquel diz:
nem vi. vi um juiz MUITO do bonito, mas nem lembro que jogo ele apitou.
helena diz:
hum... não reparei em juiz. mas, fiquei chocada. paraguaio bonito?!

-beijosegoleadas;*
08 junho, 2010 12 comentários

Diálogos #2 #3



- Poderíamos, então, ser amigos. Que acha?
- Uma boa idéia, em certa medida. Mas, acho que a amizade entre nós não funcionaria como você espera.
- Poderíamos, então, ser amantes. Que tal?
- Razoável. Desde que não mantivéssemos mais relacionamento nenhum.
- Poderíamos, então, ser irmãos. O que diz?
- Se nosso sangue não pulsasse com tanta intensidade a cada vez que nos encontramos, seria uma boa saída.

--

- Você nunca se cansa?
- Você sabe que não. Por quê? Isso a frustra de alguma forma?
- Sim. Eu me canso o tempo todo, você sabe. Isso não o incomoda?
- E deveria? Se ambos fôssemos incansáveis conversas como essa seriam infinitas.

-beijosfictícios;*
03 junho, 2010 9 comentários

Coisa



A tal da coisa é uma coisa engraçada.

Você pode fazer tudo com coisa.

Coisa pode ser verbo, pode ser substantivo, pode ser adjetivo.
Coisa pode ser objeto, pode ser gente, pode ser bicho.
Coisa pode ser tudo. Tudo pode ser coisa.

Quando coisa começa a fazer parte do seu vocabulário, aí então vira uma coisa daquelas bem coisadas. Porque coisa pega, e quando gruda de vez é difícil de arrancar. No começo é uma coisinha de nada, mas com o passar do tempo vai se transformando em uma coisona. Quando você percebe, a coisa já coisou tudo e nenhuma outra coisa pode coisar mais.

Dizem que coisa é coisa de goiano. Não sei ao certo. Só sei que eu aprendi a tal da coisa bem pequena e desde então a coisa faz parte de mim.

Coisar independe de sexo, religião, orientação política ou time de futebol. Todo mundo pode coisar e usar coisa pra o que der na telha. Coisa não provoca brigas e não causa acidentes. A não ser que seus usuários sejam uns coisados que não sabem coisar a coisa.

Coisa é uma coisa prática. Combina com qualquer coisa. Dá pra fazer muitas coisas com coisa. Além disso, coisa pode ser usado em todos os gêneros. Um garoto pode tanto ser uma coisa, quanto um coisa. E, geralmente, não é bom quando ele é um coisa.

Coisa pode ser elogio, pode ser crítica, pode ser palavrão.
Até porque, coisa serve pra tudo. Tudo serve pra coisa.

Coisar é quase uma arte, mas não chega a tanta coisa assim. Coisar é fácil e é coisando que se aprende a coisa. Quanto mais coisa, mais coisada fica a coisa. E eu só decidi coisar essa coisa com vocês, porque acho mesmo que é coisando coisas coisadas que a gente coisa cada dia melhor.

E se você não está entendendo patavinas do que eu estou falando aqui, é porque, definitivamente, ainda precisa aprender mais sobre a coisa.

-coisascoisinhas;*
28 maio, 2010 10 comentários

Diálogos #1



- Amor, aprendi uma brincadeira nova. Quer jogar?
- Depende... Como é?
- Vamos brincar de quem se estressa primeiro. Eu jogo com meu ciúme descabido e você com sua terrível intolerância. Quem perder a paciência primeiro, perde o jogo.
- Parece fácil. Mas, por quanto tempo vamos jogar um com o outro?
- Ué, até que um não suporte mais. É claro que pode durar dias, até meses. E então, está a fim de jogar?
- Acho que sim. Gosto de jogos.
- Claro! Joguinhos são seu forte. Principalmente, quando se trata de manipulação deliberada. Aí, não tem pra ninguém, mesmo.
- Nem pra você, meu bem.
- Mas, você sabe que eu vou acabar ganhando, não é. Sua paciência é tão curtinha e eu sou chato quando quero, você sabe.
- Sim, sei. Mas, também sei que você mesmo não se suporta quando fica paranóico demais. Quando começamos?
- Desde já. Que tal?
- Ok. Sendo assim, já pode começar com seus surtos de ciúmes. Acordei ótima hoje, igual a onça depois de 15 dias de jejum forçado.

-beijosfictícios;*
25 maio, 2010 10 comentários

Apatia



Eu odeio o fato de não sentir nada.

De não conseguir sentir afeição nem pelas pessoas que, corajosamente, me suportam todos os dias e aguentam minhas crises há 20 anos.

Odeio como eu consigo estragar tudo de bom que acontece, pelo simples fato de querer desesperadamente sentir alguma coisa, mesmo que seja remorso.
Odeio como faço todos sofrerem e me odiarem por não sentir remorso pelas minhas palavras e reações amargas.
Odeio o fato de como sou falsa com as pessoas quando não quero expor minhas dificuldades.

De como fujo e deixo a bomba nas mãos dos outros. E também da habilidade que tenho de fazer o jogo virar e tornar os outros culpados, enquanto a recíproca é que é a verdadeira.

apatia 
(grego apátheia, insensibilidade, apatia)
s. f.
1. Falta de energia.
2. Indiferença.
3. Indolência.

Engraçado como algumas definições aplicam-se tão bem a certas fases que experimentamos na vida. Ainda bem que não passam de fases e que, de acordo com a própria definição, não duram eternamente.

-beijotchau;*
14 maio, 2010 10 comentários

Há o lado das paixões



Tem certas situações que sempre nos fazem pensar na lógica de sua existência. Algumas coisas, definitivamente, não têm explicação, of course. Mas, quem disse que nós, seres humanos teimosos e super-racionalizadores, não ficamos tentando encontrar uma resposta pra elas, né.

A tal da paixão é uma coisa assim...

E, se você veio até aqui sonhando em encontrar uma resposta, desista. Eu, definitivamente, nunca chegarei a uma resposta tão lógica e/ou óbvia.

As paixões surgem.

Elas são, geralmente pra não dizer sempre, arrebatadoras, te consomem e por hora, te deixam até irracional. O duro da paixão é exatamente isso, ela deixa as pessoas muito suscetíveis. Além disso, gera dúvidas extremente cruéis.

Não sou muito fã do ser apaixonado e, sinceramente, prefiro o amor, em si.

O fato é que, hoje em dia, muito se confunde os dois que, pra mim, nada tem a ver um com o outro. Ambos sentimentos existem independentemente um do outro, sendo que a paixão é, necessariamente, cega.

Quem foi que disse que o amor que é cego?

O amor não esconde os defeitos, ou maqueia, ou pseudo-muda as pessoas. Quem faz isso é a paixão.
O amor é bem mais racional, e por isso, mais belo.
O ser amado não é idealizado, como pela paixão. Ele é o que é, e o amor aceita e gosta muito disso.

É por isso que muitos relacionamentos acabam muito rápido, se é que começam. As pessoas idealizam tanto, que quando despertam do transe passional em que se encontram, percebem que nada daquilo que imaginaram é realmente verdade. Por esse motivo que não deveríamos tomar decisões em momentos de estresse ou cansaço, principalmente se este for emocional.

Mas, quer saber, é como eu ouvi há quase 1 ano... todo ser humano precisa de uma paixão para viver, só cabe a nós escolher pelo que vamos nos apaixonar. Eu?! Ainda prefiro o amor, ele é bem mais calmo, mesmo que seja "a coisa mais triste do mundo quando se desfaz" (vide João Gilberto).

-beijoscomentem;*
06 maio, 2010 10 comentários

Vulnerabilidade forçada



Se tem uma coisa que eu não gosto é de assalto. Bom, acho que ninguém gosta de assalto na verdade. É uma situação extremamente chata e imprevisível. E o pior é que, geralmente, você fica com tanto medo que nem sabe ao certo o que fazer.

Se chora.
Se ri.
Se corre.
Se fica.
Se bate.
Se apanha.

Uma vez ouvi algo muito interessante durante uma pregação. O preletor falava sobre entrega e usou o fato de ter sido assaltado há alguns anos como exemplo. Na época foi meio-que absurdo, já que eu nunca havia sido assaltada. Mas, hoje eu entendo direitinho o que ele quis dizer com tudo aquilo.

Assalto está muito relacionado à vulnerabilidade. Quando um cara armado resolve que vai levar algo que é seu sem a sua permissão, você fica totalmente vulnerável e meio-que à disposição do sujeito. É uma sensação muito estranha.

Já fui assaltada algumas vezes.

A mais traumática delas aconteceu quando eu tinha por volta de 15 anos. Naquela noite eu fui dormir na casa de uma amiga. Outros amigos nossos também iriam para lá, assistir filme e conversar um pouco. Em meio às risadas, durante o trailer do filme que havíamos escolhido, três homens com máscaras de palhaço irromperam pela sala anunciando o assalto.

Talvez devido ao clima descontraído em que nos encontrávamos, nem percebemos que o assunto era sério até que um dos queridos resolveu que precisava dar um coronhada na cabeça de um dos rapazes. O sequestro assalto demorou cerca de 1h30, com direito à lanche para os convidados e muita porrada violência.

A palavra que melhor define tudo o que aconteceu é tenso.

Foi tudo tão cinematográfico que, depois que a quadrilha foi embora, deixando-nos todos amarrados e amordaçados, disparei a rir. Não porque eu ache sexy ser amarrada ou amordaçada. Sinceramente, não gosto da sensação de ser tratada como um porco. Na verdade tem mais a ver com reações a momentos de tensão. Já a mãe da minha antiga amiga não achou tanta graça quanto eu.

Talvez por causa da sombra roxa que eles deixaram no olho dela.
Ou talvez porque a polícia demorou um bom tempo para chegar ao local.
Ou talvez porque a quadrilha tenham depenado a casa toda.
Ou talvez porque os assaltantes nos tenham mantido com a cara, literalmente, no chão por mais de uma hora sob ameaças de morte que, realmente, pareciam bem sérias.

Não sei.
Só sei que a minha crise de riso não foi solitária.
Algumas das meninas também riram bastante.

As outras experiências não foram tão incisivas quanto essa, mas em todas me senti da mesma forma: violada. É horrível sentir que alguém, além de você (e se, como eu, você acredita em Deus) e Deus, tem poder de escolha sobre sua vida.

Outro dia uma amiga me contou que foi assaltada. Levaram a bolsa dela em uma panificadora. Ela ainda nem havia feito o pedido. Tudo estava dentro daquela bolsa. [...] Também já tive meus documentos roubados. Além de tudo, ainda causa o maior transtorno para regularizar tudo depois. Coisas como frequentar delegacias e enfrentar filas para "retirar" a 2ª via dos documentos. Não é nada agradável mesmo.

E aí é nesse momento que você entende o real significado de se entregar. De se sentir impotente. De se tornar vulnerável.

-beijoscomentem;*
29 abril, 2010 7 comentários

Lidando com o inusitado



Sempre gostei de situações inusitadas com pessoas desconhecidas. Mas, conversar com elas nunca foi o meu forte. Portanto, quando eu passo mais de 20 minutos conversando animadamente com uma pessoa que nunca vi é de se estranhar.

Ficar sozinha durante muito tempo também não faz muito o meu estilo, ainda mais quando preciso esperar quase 2h sentada no corredor da faculdade. Talvez esse tenha sido o motivo do que aconteceu essa semana. Às vezes, é fato, tudo conspira para que esse tipo de coisa aconteça. E, provavelmente, não foi a toa que naquele dia minhas aulas tenham terminado 1h30 antes do horário normal.

Como era o único dia da semana em que tenho carona de volta para casa, sentei-me a fim de esperar. Não havia levado nenhum livro e ninguém conhecido e querido o suficiente estava à vista.

Fiquei preocupada.
Teria que arrumar algo para fazer.

Abri meu caderno e comecei a escrever uma música que estava na minha cabeça. Sentada com as pernas cruzadas, as pessoas que passavam pelo corredor sempre olhavam para mim ali. Certamente, a cena deveria ser o cúmulo da falta de amigos ideal da solidão.

Uma garota sentada, sozinha, escrevendo algo em seu caderno. Daria uma boa foto, pelo menos (mentira).

Comecei a notar uma movimentação diferente. Apesar de parecer inerte, eu quase nunca consigo me desligar completamente do mundo à minha volta. Vi um garoto encarando a porta do laboratório de fotografia. Ele olhou pra mim e perguntou se eu estudava ali, ao que respondi que sim. A próxima pergunta era se a pessoa responsável pelo empréstimo das máquinas voltaria logo.

Dei uma risadinha antes de responder. Afinal, encontrar os funcionários na faculdade é algo totalmente impossível extraordinário. Ainda mais no laboratório de fotografia.

Respondi que não saberia dizer, já que os horários são meio não cumpridos diferentes ali. A resposta pareceu satisfatória, já que ele se despediu e foi embora.

Passei mais alguns minutos pensando e alguns colegas compadecidos pela minha solidão trocaram algumas palavras comigo.

O mesmo garoto, então, retornou.
Dessa vez com um pacote de amendoim na mão (eco).
Olhou para a porta ainda trancada.

Fiquei observando a cara de desapontamento que ele fez (como se tivesse esperado 1 semana para voltar ao mesmo lugar). "Será que vai abrir hoje?", foi o que ele disse. Ri novamente e disse que, provavelmente, não. A funcionária certamente já teria saído para o almoço.

Agora era indignação o que estampava seu rosto. "Já são quinze pras onze, né", eu observei. Ele se sentou ao meu lado e começamos a conversar. Primeiro o que ele fazia ali e porque precisava tanto de uma máquina. Conversamos por quase 30 minutos. Se alguém passasse por ali, acharia que éramos velhos conhecidos. Apesar de só descobrirmos nossos nomes no final da conversa quando, desapontado, ele se levantava para ir embora, definitivamente.

"-Qual é mesmo o seu nome?
- Juliana.
[...]
- E o seu?
- Lucas."

Isso foi o que mais me chocou.
-beijocomenta;*
 
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