28 maio, 2010 10 comentários

Diálogos #1



- Amor, aprendi uma brincadeira nova. Quer jogar?
- Depende... Como é?
- Vamos brincar de quem se estressa primeiro. Eu jogo com meu ciúme descabido e você com sua terrível intolerância. Quem perder a paciência primeiro, perde o jogo.
- Parece fácil. Mas, por quanto tempo vamos jogar um com o outro?
- Ué, até que um não suporte mais. É claro que pode durar dias, até meses. E então, está a fim de jogar?
- Acho que sim. Gosto de jogos.
- Claro! Joguinhos são seu forte. Principalmente, quando se trata de manipulação deliberada. Aí, não tem pra ninguém, mesmo.
- Nem pra você, meu bem.
- Mas, você sabe que eu vou acabar ganhando, não é. Sua paciência é tão curtinha e eu sou chato quando quero, você sabe.
- Sim, sei. Mas, também sei que você mesmo não se suporta quando fica paranóico demais. Quando começamos?
- Desde já. Que tal?
- Ok. Sendo assim, já pode começar com seus surtos de ciúmes. Acordei ótima hoje, igual a onça depois de 15 dias de jejum forçado.

-beijosfictícios;*
25 maio, 2010 10 comentários

Apatia



Eu odeio o fato de não sentir nada.

De não conseguir sentir afeição nem pelas pessoas que, corajosamente, me suportam todos os dias e aguentam minhas crises há 20 anos.

Odeio como eu consigo estragar tudo de bom que acontece, pelo simples fato de querer desesperadamente sentir alguma coisa, mesmo que seja remorso.
Odeio como faço todos sofrerem e me odiarem por não sentir remorso pelas minhas palavras e reações amargas.
Odeio o fato de como sou falsa com as pessoas quando não quero expor minhas dificuldades.

De como fujo e deixo a bomba nas mãos dos outros. E também da habilidade que tenho de fazer o jogo virar e tornar os outros culpados, enquanto a recíproca é que é a verdadeira.

apatia 
(grego apátheia, insensibilidade, apatia)
s. f.
1. Falta de energia.
2. Indiferença.
3. Indolência.

Engraçado como algumas definições aplicam-se tão bem a certas fases que experimentamos na vida. Ainda bem que não passam de fases e que, de acordo com a própria definição, não duram eternamente.

-beijotchau;*
14 maio, 2010 10 comentários

Há o lado das paixões



Tem certas situações que sempre nos fazem pensar na lógica de sua existência. Algumas coisas, definitivamente, não têm explicação, of course. Mas, quem disse que nós, seres humanos teimosos e super-racionalizadores, não ficamos tentando encontrar uma resposta pra elas, né.

A tal da paixão é uma coisa assim...

E, se você veio até aqui sonhando em encontrar uma resposta, desista. Eu, definitivamente, nunca chegarei a uma resposta tão lógica e/ou óbvia.

As paixões surgem.

Elas são, geralmente pra não dizer sempre, arrebatadoras, te consomem e por hora, te deixam até irracional. O duro da paixão é exatamente isso, ela deixa as pessoas muito suscetíveis. Além disso, gera dúvidas extremente cruéis.

Não sou muito fã do ser apaixonado e, sinceramente, prefiro o amor, em si.

O fato é que, hoje em dia, muito se confunde os dois que, pra mim, nada tem a ver um com o outro. Ambos sentimentos existem independentemente um do outro, sendo que a paixão é, necessariamente, cega.

Quem foi que disse que o amor que é cego?

O amor não esconde os defeitos, ou maqueia, ou pseudo-muda as pessoas. Quem faz isso é a paixão.
O amor é bem mais racional, e por isso, mais belo.
O ser amado não é idealizado, como pela paixão. Ele é o que é, e o amor aceita e gosta muito disso.

É por isso que muitos relacionamentos acabam muito rápido, se é que começam. As pessoas idealizam tanto, que quando despertam do transe passional em que se encontram, percebem que nada daquilo que imaginaram é realmente verdade. Por esse motivo que não deveríamos tomar decisões em momentos de estresse ou cansaço, principalmente se este for emocional.

Mas, quer saber, é como eu ouvi há quase 1 ano... todo ser humano precisa de uma paixão para viver, só cabe a nós escolher pelo que vamos nos apaixonar. Eu?! Ainda prefiro o amor, ele é bem mais calmo, mesmo que seja "a coisa mais triste do mundo quando se desfaz" (vide João Gilberto).

-beijoscomentem;*
06 maio, 2010 10 comentários

Vulnerabilidade forçada



Se tem uma coisa que eu não gosto é de assalto. Bom, acho que ninguém gosta de assalto na verdade. É uma situação extremamente chata e imprevisível. E o pior é que, geralmente, você fica com tanto medo que nem sabe ao certo o que fazer.

Se chora.
Se ri.
Se corre.
Se fica.
Se bate.
Se apanha.

Uma vez ouvi algo muito interessante durante uma pregação. O preletor falava sobre entrega e usou o fato de ter sido assaltado há alguns anos como exemplo. Na época foi meio-que absurdo, já que eu nunca havia sido assaltada. Mas, hoje eu entendo direitinho o que ele quis dizer com tudo aquilo.

Assalto está muito relacionado à vulnerabilidade. Quando um cara armado resolve que vai levar algo que é seu sem a sua permissão, você fica totalmente vulnerável e meio-que à disposição do sujeito. É uma sensação muito estranha.

Já fui assaltada algumas vezes.

A mais traumática delas aconteceu quando eu tinha por volta de 15 anos. Naquela noite eu fui dormir na casa de uma amiga. Outros amigos nossos também iriam para lá, assistir filme e conversar um pouco. Em meio às risadas, durante o trailer do filme que havíamos escolhido, três homens com máscaras de palhaço irromperam pela sala anunciando o assalto.

Talvez devido ao clima descontraído em que nos encontrávamos, nem percebemos que o assunto era sério até que um dos queridos resolveu que precisava dar um coronhada na cabeça de um dos rapazes. O sequestro assalto demorou cerca de 1h30, com direito à lanche para os convidados e muita porrada violência.

A palavra que melhor define tudo o que aconteceu é tenso.

Foi tudo tão cinematográfico que, depois que a quadrilha foi embora, deixando-nos todos amarrados e amordaçados, disparei a rir. Não porque eu ache sexy ser amarrada ou amordaçada. Sinceramente, não gosto da sensação de ser tratada como um porco. Na verdade tem mais a ver com reações a momentos de tensão. Já a mãe da minha antiga amiga não achou tanta graça quanto eu.

Talvez por causa da sombra roxa que eles deixaram no olho dela.
Ou talvez porque a polícia demorou um bom tempo para chegar ao local.
Ou talvez porque a quadrilha tenham depenado a casa toda.
Ou talvez porque os assaltantes nos tenham mantido com a cara, literalmente, no chão por mais de uma hora sob ameaças de morte que, realmente, pareciam bem sérias.

Não sei.
Só sei que a minha crise de riso não foi solitária.
Algumas das meninas também riram bastante.

As outras experiências não foram tão incisivas quanto essa, mas em todas me senti da mesma forma: violada. É horrível sentir que alguém, além de você (e se, como eu, você acredita em Deus) e Deus, tem poder de escolha sobre sua vida.

Outro dia uma amiga me contou que foi assaltada. Levaram a bolsa dela em uma panificadora. Ela ainda nem havia feito o pedido. Tudo estava dentro daquela bolsa. [...] Também já tive meus documentos roubados. Além de tudo, ainda causa o maior transtorno para regularizar tudo depois. Coisas como frequentar delegacias e enfrentar filas para "retirar" a 2ª via dos documentos. Não é nada agradável mesmo.

E aí é nesse momento que você entende o real significado de se entregar. De se sentir impotente. De se tornar vulnerável.

-beijoscomentem;*
 
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