Eu e minha mania de ler os livros e assistir suas adaptações para o cinema, né.
Bom, foi a vez de O Morro dos Ventos Uivantes (Wuthering Heights). Não escondo de ninguém que esse foi, de longe, o livro mais estranho que já li. Mas, nem por isso deixei de apreciá-lo. A loucura é o fio-condutor da história (na minha humilde opinião), permeando cada linha, cada personagem, cada diálogo. Tudo é banhado numa espécie de rio de insanidade e super-dramatização.
Diferente do que muita gente fala, pra mim a história é sobre Heathcliff e não sobre o amor entre ele e Catherine (já que não sei ao certo se se pode chamar a relação entre os dois de amor). O personagem é um estranho cigano que foi encontrado ainda criança pelo Sr. Earnshaw em uma das viagens habituais do ricaço. Ele cresce na propriedade que dá nome ao livro, a Wuthering Heighs. Catherine é filha de Earnshaw e cria um laço muito profundo com Heathcliff. Não vou prolongar as descrições, porque senão perde a graça.
O caso é que eles são muito obcecados um pelo outro. E daí que surge a loucura de toda a história, já que o que deveria ser um casal, nunca chega a se transformar em um. Heathcliff é retratado o tempo todo como uma demônio em pele de homem, tamanha sua crueldade e frieza. E, de fato, ele é mau (muito mesmo). Suas atitudes não são nenhum pouco apreciáveis e ele, definitivamente, não é um herói. Sua obsessão por Catherine é doentia e a recíproca é também verdadeira.
Todos os personagens, na verdade, são loucos (até mesmo a Nelly, que é a mais sã dentre eles).
Em certo ponto da narrativa (literária e cinematográfica) passei a culpar o cenário: o próprio Morro dos Ventos Uivantes, acho, carrega um quê de insano em si. Com certeza, a paisagem contribui para tudo o que se passa.
E todos esses sentimentos, que ficam à mostra na obra de Emily Brontë, são repassados também na tela. A adaptação que assisti foi produzida em 1992, com Ralph Fiennes e Juliette Binoche, nos papéis principais . A mais famosa é a primeira, de 1939, que ainda era em preto-e-branco (confesso que isso colaborou pra escolha de qual eu assistiria). Mas, também, a de 1992 é mais completa, contando a história também da 2ª geração do triângulo amoroso.
Algo que gostei bastante, foi o narrador, que só apareceu em momentos estratégicos durante o filme. Pelo que inferi, é a própria Emily Brontë
Quanto à história, no longa, a obsessão de ambos torna-se, em certo ponto, motivo de risada (pelo menos, pra mim). Já em outros momentos, o peito aperta e o ar chega a ficar pesado ao redor, tamanha tensão nas cenas e diálogos entre os personagens. A trilha sonora foi um dos pontos fortes. A música principal é, realmente, de tirar o fôlego e fiquei encantada com tamanha flexibilidade da canção (preste atenção na música de fundo do trailer: é ela!).
Indico ambos. Ao contrário do que possa parecer, a leitura não é difícil de ser levada, apesar da estranheza do estilo de Brontë. Já quanto ao filme, tive algumas restrições: achei longo demais. Mas, é o que se espera de adaptações (ou não).
O trailer:
beijosadaptados;*
p.s: Ah, e só a título de esclarecimento: Mr. Darcy (Pride&Prejudice) e Heathcliff não são, nem de longe, parecidos. Essa foi a comparação mais ABSURDA que eu já ouvi-li-vi. Mas, isso é assunto para um post inteiro (ha-ha)!
- Twitter
- "Facebook!
- RSS
Contact