05 julho, 2010 5 comentários

Diálogos #4



- Em que você está pensando?
- Nada demais. Por que o interesse?
- Gostaria de invadir sua mente, saber tudo o que pensa sempre.
- Nas primeiras horas seria excitante. Nos primeiros dias, até empolgante. Mas, depois de 1 ou 2 semanas, você estaria gemendo para sair de lá.
- Talvez valesse a pena, querida. E então eu a conheceria por completo.
- Eu sou muito enfadonha, depois de algum tempo. Logo se cansaria, você sabe.
- Se a invadisse, talvez. Mas, e se você me ensinasse sobre você?
- Seria muito previsível e egocêntrico, acredito. Mas, e se eu ensinasse alguém a ensiná-lo sobre mim?
- Seria uma boa idéia se eu não soubesse quem seria a pessoa que você elegeria como meu instrutor.
- Seu ciúme é o que me cansa.
- Posso considerar isso como a primeira aula?

-beijosfictícios;*
30 junho, 2010 6 comentários

Soundtracks


No dia em que fiz o teste pra aula de técnica vocal, o professor me disse, após me ouvir cantar, que tenho um perfil musical, a la Cantando na Chuva e cia.

Daí, fiquei pensando no porquê disso e cheguei à conclusão de que, certamente, eu devo ter aprendido a cantar com as animações musicais da Disney.

Daí, fiquei pensando que eu, realmente, amo muito animação e, principalmente, quando tem músicas e tudo o mais.

Daí, resolvi fazer uma lista das músicas mais legais de longas-animados que mais amo de todo o coração. Só que eu não encontrei as mais legais então, escolhi 6 que não são as mais, mas que são também bem legais. Escolhi essas 6 e na versão brasileira porque, né, eu não fui uma criança prodígio e não assistia filme com áudio original.

Lá vai:

1. You've got a friend in me - Toy Story





2. He's a tramp - Lady and the Tramp





3. Colors of wind - Pocahontas





4. When you believe - The Prince of Egypt





5. What's this? - The Nightmare Before Christmas





6. Honor to us all - Mulan





-beijosmusicados:*
25 junho, 2010 8 comentários

Intimidade



Triângulo amoroso nunca dá certo, a não ser no cinema (e olhe lá).

Um sempre acaba magoado. Mesmo que seja toda uma vibe Vicky Cristina Barcelona. Não dá. É muito difícil administrar e as pessoas tendem a ser possessivas demais, sempre. O pior é quando há a troca, de fato.

Conheci um casal que viveu uma situação assim.

A prima dela era apaixonada por ele, antes de ela sequer conhecê-lo. Bom, dizem que no coração não se manda, e então, um dia eles apareceram namorando. O fato foi motivo de rompimento e desavenças na família das duas. A prima, pobre vítima da conspiração dos dois, comeu o prato da vingança frio, espalhando boatos sobre a índole da ex-querida-amiga.

O pior de tudo é que o namoro, motivo de rixa na família das duas, acabou logo. Não passando dos 5 meses, se não me engano. Pelo que vi, li e ouvi da história, ela o deixou por causa de outro cara. Um desfecho meio-lógico (pra  não dizer óbvio) para um história assim. Não há muito o que se esperar de uma pessoa que rompe um relacionamento de anos de intimidade e companheirismo por um desconhecido.

Comecei a pensar nisso tudo quando acompanhei uma cena no ônibus (pra variar, claro) quando voltava pra casa da aula de música.

Eram três colegas-amigos-sei-lá.
Duas garotas e um garoto.
Vinham da escola, provavelmente.
O assunto, como constatei, eram os últimos dias de aula que se aproximavam e as provas finais que já aconteciam.

A segunda garota era a que falava mais e a que, aparentemente, era o elo entre eles. Os outros dois pareciam apenas acompanhar a conversa e até meio-que incomodados com a presença um do outro. A situação permaneceu igual até o momento em que a segunda garota despediu-se dos dois e desceu do ônibus.

No mesmo momento peguei-me imaginando o que seria daqueles dois agora que a falante fora embora e os deixara pouco a vontade. Até cheguei a captar olhares desconcertados dos dois.

Mas, assim que o ônibus começou a se movimentar, e a lembrança da segunda garota ficou para trás junto à sua parada, os dois entregaram-se a um abraço tão íntimo e longo que logo me senti constrangida só por acompanhar a cena sem consentimento.

O abraço durou alguns minutos.
Talvez, para eles, rápidos demais.
Para mim, que observava, foram duradouros.

Fiquei imaginando se a segunda garota saberia dessa intimidade tão rendida entre os dois. Não que, necessariamente, os três formem um triângulo amoroso. Mas, sabe-se lá o que se passa na cabeça de três adolescentes que falam mais palavrões em uma frase do que palavras que façam sentido (não que palavrões não façam sentido. só não os aprecio tanto quanto adolescentes de 14 anos). Quando o abraço, enfim, terminou, os dois voltaram à distância normal entre dois amigos e aos mesmos assuntos de antes. Pelo menos, no que pude ouvir da conversa entre eles.

Parece até coisa de bisbilhoteiro-fofoqueiro, eu sei. Mas, dentro de um ônibus são tantas as coisas que se vê e ouve, mesmo sem querer, que é quase impossível não se tornar um observador, mesmo que oculto.

Desci no terminal, assim como os dois.
Eles foram para um lado.
Eu para o outro.

E a única coisa que sobrou de tudo foi esse texto; que compus na caminhada de volta pra casa.

-beijostriangulares;*
 
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